Use este identificador para citar ou linkar para este item: http://hdl.handle.net/11612/8882
Autor(a): Karajá, Claudia Hakuwi Kuady
Orientador: Araújo, Rosemary Negreiros de
Título: Benefício da Previdência Social: O desafio da aposentadoria dos indígenas idosos do povo Akwe Xerente
Palavras-chave: Previdência social; Povos indígenas; Akwẽ Xerente; Aposentadoria rural.
Data do documento: 21-Ago-2026
Editor: Universidade Federal do Tocantins
Citação: KARAJÁ, Claudia Hakuwi Kuady. Benefício da Previdência Social: O desafio da aposentadoria dos indígenas idosos do povo Akwe Xerente. 2025. 55f. Monografia (Graduação em Serviço Social) - Universidade Federal do Tocantins, Miracema do Tocantins, 2026.
Resumo: Este Trabalho de Conclusão de Curso analisa, em profundidade, os desafios enfrentados pelo povo Akwẽ Xerente no acesso à aposentadoria rural, evidenciando como a política previdenciária brasileira, embora constitucionalmente universal, opera de forma desigual quando aplicada às realidades dos povos indígenas. A pesquisa parte da compreensão de que o sistema previdenciário foi estruturado historicamente a partir de modelos urbanos, assalariados e não indígenas, produzindo exigências documentais, comprovações de atividade laboral e procedimentos burocráticos que não dialogam com as formas próprias de vida, trabalho e organização social dos Akwẽ. Assim, o estudo busca compreender de que maneira essas barreiras impactam o cotidiano das famílias, especialmente no que se refere ao envelhecimento e à proteção social dos idosos. De abordagem qualitativa, o trabalho desenvolve uma análise bibliográfica fundamentada em autores indígenas e brasileiros, articulando reflexões das áreas do Serviço Social, do Direito Social, da Antropologia e das Políticas Públicas. A investigação demonstra que o acesso à aposentadoria entre os Akwẽ Xerente envolve múltiplas etapas: atualização de documentos civis frequentemente marcados por erros históricos; dificuldades de enquadramento das atividades produtivas tradicionais nas categorias reconhecidas pelo INSS; mediações linguísticas; necessidade de deslocamentos longos e custosos até as agências; além da ausência de atendimento qualificado e intercultural. Esses fatores revelam a permanência de desigualdades estruturais que atravessam a relação entre povos indígenas e Estado, perpetuando formas de exclusão institucional mesmo diante de direitos formalmente assegurados. Ao mesmo tempo, a pesquisa evidencia a potência das estratégias comunitárias construídas pela aldeia para enfrentar tais obstáculos. A organização familiar, a participação das lideranças, o apoio de jovens bilíngues, a circulação de informações e o cuidado com os idosos demonstram que o pedido de aposentadoria não é um ato individual, mas um processo coletivo que mobiliza a força e a solidariedade da comunidade. A renda previdenciária, quando conquistada, assume significado ampliado: fortalece a autonomia dos anciãos, contribui para a segurança alimentar, apoia deslocamentos de saúde, reforça a economia interna das aldeias e reafirma o papel social e simbólico dos idosos como guardiões da memória, da tradição e da palavra. Os resultados apontam que, para que o direito previdenciário se efetive plenamente entre os povos indígenas, é necessária a territorialização das políticas públicas, com equipes capacitadas em interculturalidade, flexibilização de comprovações documentais, oferta de atendimentos descentralizados e reconhecimento dos modos diversos de produzir e viver. Conclui-se que a Previdência Social, ao ser pensada a partir da perspectiva indígena, não pode se limitar ao cumprimento formal de normas: deve dialogar com a realidade concreta dos territórios, respeitar valores comunitários e incorporar a pluralidade cultural brasileira. Por fim, este trabalho revela o significado político e existencial de uma mulher indígena escrever sobre o povo no espaço acadêmico. Trata-se de um movimento paradoxal e potente, em que pesquisa e trajetória se encontram para afirmar que produzir conhecimento desde dentro é também resistir, reivindicar e construir caminhos para que os direitos dos povos indígenas deixem de ser promessa e se tornem realidade.
Abstract: Este Trabajo de Conclusión de Curso analiza en profundidad los desafíos enfrentados por el pueblo Akwẽ Xerente en el acceso a la jubilación rural, evidenciando cómo la política previsional brasileña, aunque constitucionalmente universal, opera de manera desigual cuando se aplica a las realidades de los pueblos indígenas. La investigación parte de la comprensión de que el sistema previsional fue históricamente estructurado a partir de modelos urbanos, asalariados y no indígenas, produciendo exigencias documentales, comprobaciones de actividad laboral y procedimientos burocráticos que no dialogan con las formas propias de vida, trabajo y organización social de los Akwẽ. Así, el estudio busca comprender de qué manera estas barreras impactan el cotidiano de las familias, especialmente en lo que se refiere al envejecimiento y a la protección social de las personas mayores. Con un enfoque cualitativo, e trabajo desarrolla un análisis bibliográfico fundamentado en autores indígenas y brasileños, articulando reflexiones de las áreas del Trabajo Social, del Derecho Social, de la Antropología y de las Políticas Públicas. La investigación demuestra que el acceso a la jubilación entre los Akwẽ Xerente implica múltiples etapas: actualización de documentos civiles frecuentemente marcados por errores históricos; dificultades para encuadrar las actividades productivas tradicionales en las categorías reconocidas por el INSS; mediaciones lingüísticas; necesidad de desplazamientos largos y costosos hasta las agencias; además de la ausencia de una atención adecuada e intercultural. Estos factores revelan la permanencia de desigualdades estructurales que atraviesan la relación entre los pueblos indígenas y el Estado, perpetuando formas de exclusión institucional incluso ante derechos formalmente garantizados. Al mismo tiempo, la investigación evidencia la potencia de las estrategias comunitarias construidas en la aldea para enfrentar tales obstáculos. La organización familiar, la participación de las lideranzas, el apoyo de jóvenes bilingües, la circulación de informaciones y el cuidado hacia las personas mayores demuestran que la solicitud de jubilación no es un acto individual, sino un proceso colectivo que moviliza la fuerza y la solidaridad de la comunidad. El ingreso previsional, cuando es conquistado, adquiere un significado ampliado: fortalece la autonomía de los ancianos, contribuye a la seguridad alimentaria, apoya los desplazamientos de salud, refuerza la economía interna de las aldeas y reafirma el papel social y simbólico de los mayores como guardianes de la memoria, la tradición y la palabra. Los resultados señalan que, para que el derecho previsional se efectivice plenamente entre los pueblos indígenas, es necesaria la territorialización de las políticas públicas, con equipos capacitados en interculturalidad, flexibilización de las comprobaciones documentales, oferta de atenciones descentralizadas y reconocimiento de los modos diversos de producir y vivir. Se concluye que la Seguridad Social, cuando es pensada desde la perspectiva indígena, no puede limitarse al cumplimiento formal de normas: debe dialogar con la realidad concreta de los territorios, respetar los valores comunitarios y incorporar la pluralidad cultural brasileña. Finalmente, este trabajo revela el significado político y existencial de que una mujer indígena escriba sobre su propio pueblo en el espacio académico. Se trata de un movimiento paradójico y potente, en el que investigación y trayectoria se encuentran para afirmar que producir conocimiento desde adentro es también resistir, reivindicar y construir caminos para que los derechos de los pueblos indígenas dejen de ser una promesa y se conviertan en realidad.
URI: http://hdl.handle.net/11612/8882
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