Use este identificador para citar ou linkar para este item: http://hdl.handle.net/11612/8394
Autor(a): Fonseca, Cristina da Cunha
Orientador: Castorino, Adriano Batista
Título: Mulheres em situação de violência sexual no ambiente universitário: uma descoberta a partir da escuta sensível
Palavras-chave: Violência sexual. Universidade. Escuta sensível. Violência contra a mulher. Sexual violence. University. Sensitive listening. Violence against women
Data do documento: 12-Dez-2025
Citação: FONSECA, Cristina da Cunha. Mulheres em situação de violência sexual no ambiente universitário: uma descoberta a partir da escuta sensível. 2025.66f. Dissertação (Mestrado em Administração Pública - Profiap) – Universidade Federal do Tocantins, Programa de Pós-Graduação em Administração Pública - Profiap, Palmas, 2025.
Resumo: A presente dissertação investiga as experiências de mulheres em situação de violência sexual no ambiente universitário, tomando como campo empírico o Câmpus Palmas da Universidade Federal do Tocantins (UFT). Fundamentado em uma abordagem qualitativa e interpretativa, o estudo busca compreender como essas mulheres percebem, elaboram e narram episódios de assédio e violência sexual, bem como analisar de que modo as respostas institucionais influenciam seus processos subjetivos de enfrentamento, acolhimento e reconstrução emocional. A pesquisa adota como eixo metodológico a escuta sensível, inspirada em Maffesoli e Freire, compreendendo a fala da participante como produção legítima de conhecimento e como gesto político de resistência ao silenciamento histórico que molda as relações de gênero. O referencial teórico articula contribuições de autoras feministas que problematizam as estruturas patriarcais que permeiam espaços de sociabilidade, destacando-se Butler, Hooks, Federici, Saffioti e Segato. Esses aportes permitem compreender a violência sexual como fenômeno estrutural, sustentado por relações de dominação simbólica e mecanismos de culpabilização e revitimização das mulheres. A universidade, tradicionalmente concebida como lugar de emancipação e crítica, revela-se também como espaço de reprodução de desigualdades, onde práticas de silenciamento, burocratização do acolhimento e ausência de políticas efetivas contribuem para a perpetuação da violência. A metodologia envolve entrevistas semiestruturadas com três mulheres que vivenciaram violência sexual dentro do ambiente acadêmico. As narrativas foram analisadas por meio da técnica de Análise de Conteúdo de Bardin, permitindo identificar 4. Os resultados revelam que a violência sexual produz efeitos profundos sobre a trajetória universitária das participantes, incluindo medo, isolamento, queda do rendimento acadêmico e desconfiança institucional. Evidenciam também que as respostas institucionais oferecidas, quando presentes, foram insuficientes, fragmentadas e, em alguns casos, revitimizadoras. A escuta sensível mostrou-se um recurso metodológico e ético capaz de promover acolhimento, legitimar o sofrimento e criar um espaço seguro para a elaboração narrativa da dor. Conclui-se que a universidade necessita ampliar suas políticas de prevenção, acolhimento e responsabilização, fortalecendo práticas pedagógicas e institucionais que reconheçam a centralidade da escuta, do cuidado e da justiça de gênero. A pesquisa contribui para o debate sobre violência sexual no ensino superior ao evidenciar lacunas institucionais, reafirmar a importância da escuta como ferramenta de transformação e propor caminhos para práticas acadêmicas mais humanas, sensíveis e socialmente comprometidas.
Abstract: This dissertation investigates the experiences of women who have faced sexual violence within the university environment, using the Palmas Campus of the Federal University of Tocantins (UFT) as the empirical field. Grounded in a qualitative and interpretative approach, the study seeks to understand how these women perceive, process, and narrate episodes of harassment and sexual violence, as well as to analyze how institutional responses influence their subjective processes of coping, support, and emotional reconstruction. The research adopts escuta sensível (sensitive listening) as its methodological axis, inspired by Maffesoli and Freire, recognizing participants’ speech as a legitimate form of knowledge production and as a political gesture of resistance to the historical silencing that shapes gender relations. The theoretical framework articulates contributions from feminist authors who challenge patriarchal structures that permeate spaces of sociability, including Butler, Hooks, Federici, Saffioti, and Segato. These contributions enable an understanding of sexual violence as a structural phenomenon, sustained by relations of symbolic domination and mechanisms of victim-blaming and revictimization. The university, traditionally conceived as a place of emancipation and critical thinking, also reveals itself as a space where inequalities are reproduced, in which practices of silencing, bureaucratized forms of support, and the absence of effective policies contribute to the perpetuation of violence. The methodology involves semi-structured interviews with three women who experienced sexual violence within the academic environment. The narratives were analyzed using Bardin’s Content Analysis technique, which made it possible to identify central categories emerging from their accounts. The results show that sexual violence produces profound effects on the academic trajectories of the participants, including fear, isolation, decreased academic performance, and institutional distrust. They also demonstrate that institutional responses, when present, were insufficient, fragmented, and, in some cases, revictimizing. Sensitive listening proved to be an ethical and methodological resource capable of promoting support, legitimizing suffering, and creating a safe space for the narrative elaboration of pain. The study concludes that universities must strengthen their prevention, support, and accountability policies, reinforcing pedagogical and institutional practices that recognize the centrality of listening, care, and gender justice. The research contributes to the broader debate on sexual violence in higher education by highlighting institutional gaps, reaffirming the importance of listening as a tool for transformation, and proposing pathways toward more humane, sensitive, and socially committed academic practices.
URI: http://hdl.handle.net/11612/8394
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