Use este identificador para citar ou linkar para este item: http://hdl.handle.net/11612/8176
Autor(a): Santos, Mayanna Ferreira
Orientador: Mucari, Talita Buttarello
Título: Relação da função pulmonar com capacidade funcional, fadiga e qualidade de vida em pacientes adultos com insuficiência cardíaca
Palavras-chave: Distúrbios ventilatórios. Insuficiência cardíaca. Qualidade de vida relacionada à saúde. Saúde funcional. Função pulmonar. Functional health. Ventilatory disorders. Heart failure. Health-related quality of life. Pulmonary function
Data do documento: 22-Dez-2025
Editor: Universidade Federal do Tocantins
Programa: Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde - PPGCS
Citação: SANTOS, Mayanna Ferreira. Relação da função pulmonar com capacidade funcional, fadiga e qualidade de vida em pacientes adultos com insuficiência cardíaca. 2024.80f. Dissertação (Mestrado em Ciências da Saúde) – Universidade Federal do Tocantins, Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde, Palmas, 2024.
Resumo: A insuficiência cardíaca (IC) é uma síndrome clínica complexa que afeta a capacidade funcional, a qualidade de vida e diversos sistemas orgânicos, sendo frequentemente associada a comprometimentos pulmonares. Este estudo teve como objetivo investigar a relação entre o grau de comprometimento da função pulmonar, avaliada por meio de parâmetros espirométricos, e a capacidade funcional, a fadiga e a qualidade de vida em pacientes adultos com IC. Trata-se de uma pesquisa quantitativa, analítico-descritiva e transversal, com análise de dados de 226 pacientes com diagnóstico clínico de IC. Os dados iniciais foram extraídos de um banco de informações provenientes de prontuários dos pacientes. Em seguida, foi realizada a avaliação funcional por meio do índice Duke Activity Status Index (DASI), da escala de dispneia (fadiga) através do Medical Research Council (mMRC) e do questionário de qualidade de vida de Minnesota Living with Heart Failure Questionnaire (MLHFQ). Por fim, aplicou-se a prova de função pulmonar – espirometria. A análise estatística incluiu além das medidas descritivas, testes de associação Qui-Quadrado de Pearson e Exato de Fisher, além de correlações de Spearman, adotando-se um nível de significância de 5%. A amostra foi composta predominantemente por mulheres (58,8%), e a idade média foi de 48,72±8,66 anos. Os resultados indicaram alta prevalência de distúrbios ventilatórios (81,0%), sendo o padrão restritivo o mais frequente (34,1%), seguido do obstrutivo (30,5%). Observou-se uma associação estatisticamente significativa entre o tipo de distúrbio ventilatório e a gravidade do comprometimento pulmonar (p < 0,001), com o padrão misto associando-se, invariavelmente, com a categoria de comprometimento grave. O sedentarismo também se mostrou significativamente associado a piores graus de disfunção pulmonar (p = 0,006). Contudo, não se identificaram associações estatisticamente significativas entre o grau de comprometimento pulmonar e os escores de capacidade funcional (p = 0,124), fadiga (p = 0,293) e qualidade de vida global (p = 0,661). Confirmando tais resultados, os coeficientes de correlação de Spearman entre o grau de gravidade do comprometimento pulmonar e essas variáveis foram muito fracos e não significativos (valores de |r| < 0,12; p > 0,05). As alterações da função pulmonar são extremamente prevalentes em pacientes com IC, a forte associação entre o padrão ventilatório misto e a disfunção grave pode caracterizar um subgrupo de maior complexidade fisiopatológica. A associação com o sedentarismo reforça o ciclo vicioso entre descondicionamento físico e limitação cardiorrespiratória. A ausência de correlação significativa entre a disfunção pulmonar e as medidas subjetivas de capacidade funcional, fadiga e qualidade de vida é um resultado clinicamente relevante, sugerindo que a percepção do paciente sobre seu próprio funcionamento e bem-estar é modulada por uma gama de fatores além dos parâmetros espirométricos, incluindo aspectos psicossociais, mecanismos adaptativos à cronicidade, gravidade da disfunção cardíaca e presença de outras comorbidades. Conclui-se que, embora a avaliação espirométrica seja valiosa para identificar e caracterizar distúrbios ventilatórios prevalentes na IC, ela não se constitui, isoladamente, em um preditor robusto da limitação funcional percebida ou da qualidade de vida nessa população.
Abstract: Heart failure (HF) is a complex clinical syndrome that affects functional capacity, quality of life, and multiple organ systems, and is frequently associated with pulmonary impairment. This study aimed to investigate the relationship between the degree of pulmonary function impairment, assessed through spirometric parameters, and functional capacity, fatigue, and quality of life in adult patients with HF. This was a quantitative, analytical-descriptive, cross- sectional study analyzing data from 226 patients with a clinical diagnosis of HF. Initial data were extracted from a database derived from patients’ medical records. Subsequently, functional assessment was performed using the Duke Activity Status Index (DASI), dyspnea (fatigue) was evaluated using the Medical Research Council scale (mMRC), and quality of life was assessed with the Minnesota Living with Heart Failure Questionnaire (MLHFQ). Finally, pulmonary function testing—spirometry—was conducted. Statistical analysis included descriptive measures, Pearson’s chi-square and Fisher’s exact association tests, as well as Spearman correlation analyses, adopting a significance level of 5%. The sample consisted predominantly of women (58.8%), with a mean age of 48.72 ± 8.66 years. The results indicated a high prevalence of ventilatory disorders (81.0%), with the restrictive pattern being the most frequent (34.1%), followed by the obstructive pattern (30.5%). A statistically significant and strong association was observed between the type of ventilatory disorder and the severity of pulmonary impairment (p < 0.001), with the mixed pattern invariably associated with the severe impairment category. Physical inactivity was also significantly associated with worse degrees of pulmonary dysfunction (p = 0.006). However, no statistically significant associations were identified between the degree of pulmonary impairment and scores of functional capacity (p = 0.124), fatigue (p = 0.293), or overall quality of life (p = 0.661). Confirming these findings, Spearman correlation coefficients between the severity of pulmonary impairment and these variables were not significant (|r| < 0.12; p > 0.05). Alterations in pulmonary function are extremely prevalent in patients with HF, and the strong association between the mixed ventilatory pattern and severe dysfunction may characterize a subgroup with greater pathophysiological complexity. The association with physical inactivity reinforces the vicious cycle between physical deconditioning and cardiorespiratory limitation. The absence of a significant correlation between pulmonary dysfunction and subjective measures of functional capacity, fatigue, and quality of life is a clinically relevant finding, suggesting that patients’ perceptions of their own functioning and well-being are modulated by a range of factors beyond spirometric parameters, including psychosocial aspects, adaptive mechanisms to chronicity, severity of cardiac dysfunction, and the presence of other comorbidities. It is concluded that although spirometric assessment is valuable for identifying and characterizing ventilatory disorders prevalent in HF, it does not, in isolation, constitute a robust predictor of perceived functional limitation or quality of life in this population.
URI: http://hdl.handle.net/11612/8176
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