Please use this identifier to cite or link to this item: http://hdl.handle.net/11612/2811
Authors: Reis, Diana Rodrigues dos
metadata.dc.contributor.advisor: Morais, Maria Perla Araújo
Title: Vidas Secas, de Graciliano Ramos, à luz do pós-colonialismo
Keywords: Dominador; Dominado; Literatura Brasileira; Pós-coloniais; Seca; Dominator; Dominated; Brazilian literature; Postcolonial; Dry
Issue Date: 31-Mar-2021
Citation: REIS, Diana Rodrigues. Vidas Secas, de Graciliano Ramos, à luz do pós-colonialismo .2019.119f. Dissertação (Mestrado em Letras) – Universidade Federal do Tocantins, Programa de Pós-Graduação em Letras, Porto Nacional, 2019.
metadata.dc.description.resumo: Essa pesquisa tem como temática, o estudo sobre a obra, Vidas Secas (1938) de Graciliano Ramos, com foco nos aspectos ligados aos estudos pós-coloniais. A fim de observar o Pós colonialismo nesta obra, esse trabalho terá como base os estudos de Fanon (1968), Bonnici (2012), Said (2011), Bhabha (1998) e Santos (2018). Na obra Vidas Secas, há uma reflexão sobre um poder e saber que se mantém desde a nossa colonização, justificando a exploração e calando a voz das identidades não-hegemônicas. O Pós-colonialismo tenta entender como o colonialismo impôs uma episteme, um saber e um poder aos colonizados e como esses meca nismos de dominação permanecem mesmo após a independência dos países. A política de po der, mais precisamente a exploração, a cultura europeia como centralidade menosprezando as demais culturas e a ideia de inferioridade implantada na mentalidade do colonizado são pontos ligados à questão dominador/dominado. Vidas Secas evidencia essa permanência das práticas sociais do colonizador nas ex-colônias: Fabiano, protagonista da história, não se aceita, em várias situações é menosprezado pelas autoridades e em silêncio permanece tornando-se alie nado. Os personagens possuem características relacionadas à inferiorização, alienação, silenci amento, todas ligadas a aspectos da teoria pós-colonial. Graciliano Ramos denuncia a situação dos brasileiros pobres e nordestinos vistos pelos mais favorecidos como corpos cuja exploração é permitida dentro de um sistema econômico, político e social que identifica as identidades não hegemônicas unicamente como força de trabalho descartável. A história se passa na década de 1930 em que vemos o Brasil imerso na repressão além disso, no Nordeste, a seca. Esse cenário é explorado pela obra Vidas Secas para retratar um país que silencia, menospreza e desconsidera suas populações mais vulneráveis. Centrados na transformação das cidades, ao mesmo tempo em que fortalecem os grandes proprietários rurais, o Brasil advoga por uma modernidade que vê no arcaico e no passado os entraves da prosperidade do país. O arcaico são os restos, as ruínas dos projetos de modernidade brasileira e devem ser abandonados em prol da narrativa do Brasil como país do futuro. Esse pensamento de olhar para o “outro” como o resto, o que não consegue se integrar, é a mesma dinâmica usada pelo colonialismo diante do colonizado. Assim, as elites econômicas e políticas brasileiras se identificam com esse pensamento para fazer a manutenção de seus privilégios e para ocuparem os postos que, antes, eram os dos co lonizadores. Apoiados nesse pensamento, farão o controle de suas populações e silenciarão o drama dos problemas sociais proporcionados por essa visão excludente de sociedade. Logo, na obra Vidas Secas é possível visualizar aspectos dos estudos pós-coloniais e resquícios de sua permanência na realidade contemporânea.
Abstract: This research has as its theme, the study on the work, Vidas Secas (1938) by Graciliano Ramos, with a focus on aspects related to post-colonial studies. In order to observe Postcolonialism in this work, this work will be based on the studies of Fanon (1968), Bonnici (2012), Said (2011), Bhabha (1998) and Santos (2018). In the work Vidas Secas, there is a reflection on a power and knowledge that has been maintained since our colonization, justifying exploration, and silenc ing the voice of non-hegemonic identities. Postcolonialism tries to understand how colonialism imposed an episteme, knowledge, and power on the colonized and how these mechanisms of domination remain even after the independence of the countries. The policy of being able, more precisely the exploration, European culture as centrality despising other cultures and the idea of inferiority implanted in the mentality of the colonized are points linked to the dominant / dominated issue. Vidas Secas shows this permanence of the colonist's social practices in the former colonies: Fabiano, protagonist of history, is not accepted, in various situations he is despised by the authorities and in silence he remains becoming alienated. The characters have characteristics related to interiorization, alienation, silencing, all linked to aspects of post-colo nial theory. Graciliano Ramos denounces the situation of poor and northeastern Brazilians seen by the most favored as bodies whose exploitation is permitted within an economic, political, and social system that identifies non-hegemonic identities solely as a disposable workforce. The story takes place in the 1930s when we see Brazil immersed in repression, in addition, in the Northeast, the drought. This scenario is explored by the work Vidas Secas to portray a country that silences, despises, and disregards its most vulnerable populations. Focused on the transformation of cities, at the same time that they strengthen large rural landowners, Brazil advocates for a modernity that sees in the archaic and in the past the obstacles to the country's prosperity. The archaic are the remains, the ruins of Brazilian modernity projects and must be abandoned in favor of the narrative of Brazil as a country of the future. This thought of looking at the “other” as the rest, which fails to integrate, is the same dynamic used by colonialism in the face of the colonized. Thus, the Brazilian economic and political elites identify with this thought in order to maintain their privileges and to occupy the positions that, previously, were those of colonizers. Supported by this thought, they will control their populations and silence the drama of social problems brought about by this exclusionary vision of society. Therefore, in the work Vidas Secas it is possible to visualize aspects of post-colonial studies and remnants of their permanence in contemporary reality
URI: http://hdl.handle.net/11612/2811
Appears in Collections:Mestrado em Letras

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