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Authors: Santos, Marcelo Barbosa dos
metadata.dc.contributor.advisor: Araújo, Rubra Pereira de
Title: Uma leitura arquetípica do feminino em Mar Morto, de Jorge Amado: o sagrado e o humano, com foco nas personagens Iemanjá e Rosa Palmeirão
Keywords: Literatura - Jorge Amado; Arquétipo feminino; Sagrado x humano; Estereótipos; Religião afro-brasileira; Literature - Jorge Amado; Female archetype; Sacred vs. human; Stereotypes; Afro-Brazilian religion
Issue Date: 2-Feb-2021
Citation: SANTOS, Marcelo Barbosa dos. Uma leitura arquetípica do feminino em Mar Morto, de Jorge Amado: o sagrado e o humano, com foco nas personagens Iemanjá e Rosa Palmeirão.2021.147f. Dissertação (Mestrado em Letras) – Universidade Federal do Tocantins, Programa de Pós-Graduação em Letras, Porto Nacional, 2021.
metadata.dc.description.resumo: A orixá Iemanjá é uma divindade da etnia Yorubá que herdou características das mães ancestrais africanas: as Ìyá Mi. Por isso, possui a dualidade, isto é, a harmonia entre os opostos. Fato que contribuiu para ser identificada como o arquétipo da Grande Mãe. Sendo assim, a partir dos estudos de Campbell (1949), entendida como uma das faces da Grande Deusa Cósmica Universal. Contudo, ao acompanhar os africanos transportados clandestinamente para as terras do novo mundo, o seu culto e o seu arquétipo foram (res)significados ou (des)africanizados para permanecerem vivos na memória de seus descendentes, tornando-a cristianizada, branca e de padrão estético eurocêntrico. Ato que promoveu a eliminação das características “sombrias” das Grandes Mães da África Yorubá de sua imagem e contribuiu para a (des)caracterização da figura de uma deusa africana de seios fartos, símbolo de fertilidade e maternidade para formarem no imaginário popular uma fusão de imagens de uma mãe-d’água loira e uma sereia europeia que se transformaria, mais tarde, em uma Iemanjá brasileira que é uma mistura de encantamento e sedução, além de destacar o lado estático e protetor do feminino ao associá-la à imagem de inúmeras Nossas Senhoras e da Virgem Maria. Esse sincretismo é constatado no objeto de nossa pesquisa: a aclamada obra Mar Morto (1936), do renomado escritor Jorge Amado (1912 – 2001). Dessa forma, pautado na pesquisa bibliográfica, nosso embasamento teórico e crítico advém de uma perspectiva pós-estruturalista no que se refere aos estudos de literatura, crítica e comparatismo de Aguiar (2018), Carvalho (2013), Eagleton (2006), Jouve (2012), Sartre (2004), entre outros teóricos, a partir dos quais verticalizamos nossas discussões e análise literária acerca da relação entre literatura, arquétipos, sagrado feminino, gênero, estereótipos, diversidade étnica e religiosa com foco nas religiões afro brasileiras para contribuirmos com os estabelecimentos oficiais de ensinosfundamental e médio – públicos e privados – deste país, na valorização e respeito da história e cultura dos povos africanos (afro-brasileiros) responsáveis pela formação da população brasileira, por meio da aplicação das legislações 10.639/2003 e 11.645/2008. Partindo desses pressupostos teóricos e críticos, optamos por fazer uma leitura arquetípica do feminino em Mar Morto – o sagrado e o humano – com foco nas personagens Iemanjá e Rosa Palmeirão, sendo esta uma personagem feminina complexa. Uma mulher alegre, feliz e livre com atributos sensuais aflorados. Uma mulher forte, guerreira e temida por portar navalha na saia e punhal no peito. Mas ao mesmo tempo, atraente e sedutora, porque tem as nádegas grandes como a proa de um saveiro (AMADO, 2012). Outras vezes, doce quando desejava ser mãe e meiga quando amava um homem; por isso, uma rosa-palmeirão que trazia no vestido ficava muito mais bonita (AMADO, 2012). Esses atributos lhe direcionaram estereótipos de etnia e de gênero, proporcionando-lhe aproximar das características da deusa mitológica Lilith e da entidade Pombagira pelo fato de possuírem autoestima, força, sensualidade, doçura, valentia e altivez, formando assim, uma tríade arquetípica feminina. Haja vista que esses seres mitológicos femininos possuem a dualidade da natureza que pode ser comparada à dualidade humana manifestada no comportamento da personagem Rosa Palmeirão. Assim, juntas reverberam as imagens de um feminino contemporâneo emancipado que luta contra os opressores misóginos, machistas e patriarcais.
Abstract: The Iemanjá orixá is a deity of the Yorubá ethnicity who inherited characteristics from African ancestral mothers: the Ìyá Mi. Therefore, it has duality, that is, harmony between opposites. A fact that contributed to being identified as the archetype of the Great Mother. So, from the studies of Campbell (1949), understood as one of the faces of the Great Universal Cosmic Goddesses. However, when accompanying Africans smuggled to the lands of the new world, their cult and its archetype were (re) signified or (des) Africanized to remain alive in the memory of their descendants, making it Christianized, white and patterned Eurocentric aesthetic. Act that promoted the elimination of the “dark” characteristics of the Great Mothers of Yoruba Africa from their image and contributed to the (de) characterization of the figure of an African goddesses with full breasts, a symbol of fertility and motherhood to form in the popular imagination a fusion of images of a blonde water mother and a European mermaid who would later become a Brazilian Iemanja that is a mixture of enchantment and seduction, in addition to highlighting the static and protective side of the feminine by associating her with the countless images of our Holy Ladies and the Virgin Mary. This syncretism is verified in the object of our research: the acclaimed work Mar Morto (1936), by the renowned writer Jorge Amado (1912 - 2001). Thus, based on bibliographic research, our theoretical and critical basis comes from a post-structuralist perspective regarding the studies of literature, criticism and comparatively by Aguiar (2018), Carvalho (2013), Eagleton (2006), Jouve ( 2012), Sartre (2004), among other theorists, from which we verticalize our discussions and literary analysis about the relationship between literature, archetypes, feminine sacred, gender, stereotypes, ethnic and religious diversity with a focus on Afro-Brazilian religions to contribute with the official establishments of primary and secondary education - public and private - of this country, in the appreciation and respect of the history and culture of the African (Afro-Brazilian) peoples responsible for the formation of the Brazilian population, through the application of laws 10.639/2003 and 11.645/2008. Based on these theoretical and critical assumptions, we chose to make an archetypal reading of the feminine in Mar Morto - the sacred and the human - with a focus on the characters Iemanjá and Rosa Palmeirão, this being a complex female character. A cheerful, happy and free woman with sensual attributes touched on. A strong woman, warrior and feared for having a razor in her skirt and dagger in her chest. But at the same time, attractive and seductive, because she has big buttocks like the bow of a sloop (AMADO, 2012). Other times, sweet when she wanted to be a mother and sweet when she loved a man; then, a palm rose that she wore in the dress was much more beautiful (AMADO, 2012). These attributes directed him to ethnic and gender stereotypes, allowing him to approach the characteristics of the mythological goddess Lilith and the entity Pombagira due to the fact that they possess self esteem, strength, sensuality, sweetness, bravery and haughtiness, thus forming a female an archetypal triad. Bearing in mind that these female mythological beings have the duality of nature that can be compared to the human duality manifested in the behavior of the character Rosa Palmeirão. Thus, together they reverberate the images of an emancipated contemporary female who fights against the misogynist, sexist and patriarchal oppressors.
URI: http://hdl.handle.net/11612/2808
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